A Groenlândia, localizada no extremo norte do planeta, abriga a segunda maior camada de gelo do mundo, cobrindo aproximadamente 1,7 milhão de km². Este manto glaciar é essencial para a regulação climática global e atua como um dos principais reservatórios de água doce da Terra.
Um estudo recente, publicado na revista The Cryosphere, alerta para a possibilidade de derretimento completo da camada de gelo da Groenlândia (GrIS) devido às mudanças climáticas causadas por atividades humanas. Atualmente, a GrIS está perdendo massa rapidamente, principalmente por causa da redução no balanço de massa de superfície (SMB), que mede o equilíbrio entre o acúmulo de neve e o derretimento.
Desde 2002, a região já perdeu mais de 5,9 trilhões de toneladas de gelo de toneladas de gelo. O estudo indica que, se o aumento da temperatura global ultrapassar 3,4°C em relação aos níveis pré-industriais, o derretimento da Groenlândia poderá se tornar irreversível. Considerando que o planeta já excedeu o limite crítico de 1,5°C, a situação é alarmante.
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Consequências globais
Elevação do nível do mar
O derretimento total da GrIS poderia elevar o nível do mar em até 7 metros, ameaçando comunidades costeiras em todo o mundo. Assim, cidades como Londres, Tóquio e Nova Iorque, além de pequenas ilhas e nações litorâneas, enfrentariam riscos constantes de inundações, resultando em migrações em massa.
Alterações nos ecossistemas marinhos
A introdução de grandes volumes de água doce nos oceanos pode alterar a salinidade e afetar correntes marítimas essenciais, impactando negativamente a vida marinha.
Mudanças climáticas regionais
Padrões climáticos seriam perturbados, levando a invernos mais rigorosos na Europa e modificações no ciclo das monções, afetando a agricultura e a disponibilidade de água.
Impacto no Brasil
O derretimento da camada de gelo da Groenlândia pode elevar o nível do mar, ameaçando regiões costeiras brasileiras, e alterar correntes oceânicas.
Embora esse processo ocorra ao longo de séculos, o aumento contínuo do nível do mar representa uma ameaça significativa para as regiões costeiras brasileiras. Cidades litorâneas, como Rio de Janeiro, Recife e Salvador, podem enfrentar inundações mais frequentes, erosão costeira e salinização de aquíferos, afetando infraestruturas, ecossistemas e comunidades locais.
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Além disso, o derretimento acelerado da Groenlândia libera grandes volumes de água doce no Oceano Atlântico Norte, o que pode afetar a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC). A AMOC desempenha um papel importante na regulação do clima global, influenciando padrões de temperatura e precipitação.
Alterações nessa circulação podem impactar o regime de chuvas no Nordeste brasileiro e afetando potencialmente a agricultura e a disponibilidade de recursos hídricos.
Portanto, embora o Brasil esteja distante da Groenlândia, os efeitos do derretimento de sua camada de gelo podem ter repercussões significativas no território brasileiro, destacando a interconexão dos sistemas climáticos globais.
É fundamental que medidas sejam adotadas para mitigar as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global, a fim de preservar a integridade da camada de gelo da Groenlândia e evitar consequências catastróficas para o planeta.