Um esboço de Leonardo da Vinci, restaurado recentemente, revelou mais do que simples teorias. O documento confirmou a existência de túneis subterrâneos sob o Castelo Sforza, em Milão, e reacendeu um antigo mistério histórico. A descoberta foi possível graças a tecnologias modernas de mapeamento digital e escaneamento do solo.
A pesquisa foi liderada por especialistas da Universidade Politécnica de Milão, que utilizaram radar e laser para escanear a região do castelo. O resultado foi surpreendente: o desenho feito por Da Vinci correspondia com precisão a uma rede de passagens até então desconhecidas.
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Conexão com a família Sforza
Leonardo da Vinci trabalhou para Ludovico Sforza no fim do século XV, período em que o castelo se transformava de fortaleza militar em residência nobre. Durante esse processo, Da Vinci registrou observações sobre os túneis e as incorporou no Codex Forster I. Entre esses registros, estudos apontam um trajeto direto que conecta o castelo à Basílica de Santa Maria delle Grazie.
O Codex Forster I é uma das coleções de manuscritos de Leonardo da Vinci, datada entre o final do século XV e o início do século XVI. Este códice é composto por dois cadernos: o primeiro foi escrito em Milão entre 1487 e 1490, e o segundo em Florença, por volta de 1505.
Os temas abordados incluem engenharia hidráulica, teoria das proporções e estudos geométricos, todos registrados na característica escrita espelhada de Leonardo. Atualmente, o Codex Forster I está preservado no Museu Victoria and Albert, em Londres, que disponibilizou digitalizações de alta resolução do manuscrito para acesso público
Segundo os pesquisadores, essa conexão sugere que Ludovico utilizava o túnel para visitar discretamente o túmulo de sua esposa, Beatrice d’Este. A descoberta evidencia a importância desses corredores na vida privada da corte milanesa.
Uso militar e inovação digital
Além da função cerimonial e pessoal, os túneis provavelmente tinham um uso militar. Eles serviam para fugas estratégicas, transporte de armamentos ou movimentação discreta de soldados entre setores da fortificação. Agora, com a ajuda da tecnologia, será possível recriar esses espaços digitalmente.
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Estudiosos desenvolvem um modelo tridimensional do castelo e seus túneis, com acesso possível através de realidade aumentada. A proposta é que os visitantes explorem essas estruturas de forma virtual, descobrindo mais sobre a história oculta da cidade.
Essa revelação reforça a visão de Leonardo como um observador atento e criativo. Suas obras continuam sendo fontes valiosas de informação, mesmo após mais de 500 anos. O esboço restaurado é mais uma prova de como a arte e a ciência se entrelaçavam no trabalho do mestre renascentista.