O fenômeno La Niña continua a determinar os padrões climáticos no Brasil, marcando seu terceiro mês de atuação. Enquanto o Nordeste experimenta chuvas acima da média, o Rio Grande do Sul enfrenta uma seca intensa, com algumas cidades já em estado de emergência devido à falta de chuva e às altas temperaturas.
No entanto, segundo a MetSul Meteorologia, um monitoramento diário das condições do Pacífico Equatorial indica sinais de enfraquecimento do La Niña.
O que dizem os números?
Segundo a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 — área-chave para monitorar o fenômeno — está em -0,8°C.
Esse valor classifica o La Niña como apresentando intensidade fraca, que varia entre -0,5°C e -0,9°C. O único momento em que o fenômeno atingiu uma intensidade moderada foi no final de dezembro, quando a temperatura caiu para -1,1°C.
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Há oito semanas consecutivas, o oceano tem apresentado padrões típicos do La Niña. Em sete delas, o fenômeno permaneceu fraco e, em uma, moderado.
A região Niño 1+2, que abrange a costa do Peru e do Equador, também registrou um resfriamento recente, mas o efeito mais significativo continua concentrado no Pacífico Centro-Leste.
O que esperar nos próximos meses?
A NOAA prevê que o evento deve persistir por mais algumas semanas. Entre fevereiro e abril, a probabilidade de o fenômeno continuar é de 59%, enquanto a neutralidade climática tem 41% de chance.
No período de março a maio, as chances mudam: 34% para La Niña, 66% para neutralidade e apenas 0% para El Niño. A partir do meio do ano, o cenário mais provável é a neutralidade, com poucas chances de um novo episódio de La Niña.
O La Niña é conhecido por resfriar as águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial central e oriental, alterando padrões climáticos em várias partes do mundo. No Brasil, costuma trazer menos chuvas para o Sul e mais precipitações para o Norte e Nordeste.
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Entre 2020 e 2023, por exemplo, o fenômeno causou uma seca prolongada no Sul do país, afetando nações vizinhas como Argentina, Uruguai e Paraguai.
Além de influenciar as chuvas, o La Niña impacta as temperaturas. No Sul do Brasil, facilita a entrada de massas de ar frio, mas também pode provocar ondas de calor durante o verão. Globalmente, o fenômeno tende a reduzir a temperatura média do planeta, embora os efeitos do aquecimento global ainda sejam evidentes.