Pesquisadores da Academia Austríaca de Ciências, da Universidade de Viena e da Universidade Hebraica de Jerusalém analisaram um papiro exclusivo das coleções da Autoridade de Antiguidades de Israel, oferecendo informações raras sobre os procedimentos legais romanos e a vida no Oriente Próximo durante o domínio romano.
O Oriente Próximo, também conhecido como Próximo Oriente, é uma região geográfica situada no sudoeste da Ásia, próxima ao mar Mediterrâneo. Tradicionalmente, inclui países como Síria, Líbano, Israel, Palestina e Iraque.
Em contextos históricos e arqueológicos, o termo Oriente Próximo engloba áreas entre o mar Mediterrâneo e o Irã, incluindo a Anatólia e o Levante. Além disso, a Mesopotâmia, que corresponde ao atual Iraque, também faz parte dessa definição geográfica.
Um papiro do Império Romano revelou uma história conturbada de crimes, fugas e rebeliões. Descoberto no século passado, o documento foi revisitado por pesquisadores, trazendo à tona detalhes de um julgamento ocorrido durante o reinado do imperador Adriano.
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Imperador Adriano
Publio Élio Adriano governou o Império Romano de 117 a 138 d.C. Nascido em Itálica, na atual Espanha, ele era sobrinho do imperador Trajano, a quem sucedeu. Adriano é conhecido por abandonar as campanhas expansionistas de seu antecessor, adotando uma política defensiva e fortificando as fronteiras do império.
Além disso, ele realizou reformas administrativas significativas e criou um código de leis aplicável em todo o território romano. Ademais, Adriano foi um viajante incansável, visitando diversas províncias e embelezando o império com monumentos inspirados na cultura grega.
Papiro romano e o Julgamento
O papiro, composto por 133 linhas de texto, contém as notas de uma audiência judicial contra dois judeus, Saulos e Gadalias, além de seus cúmplices Chaereas e Diocles.
Eles foram acusados de uma série de crimes, incluindo a libertação ilegal de escravos sem o pagamento das taxas exigidas e a incitação à rebelião contra o Império Romano. A datação do documento sugere que essas atividades ocorreram pouco antes da Revolta de Bar Kokhba, uma insurreição judaica contra o domínio romano que durou de 132 a 136 d.C.
De acordo com o pesquisador Avner Ecker, este é o caso judicial romano mais detalhadamente documentado na Judeia, excetuando-se o julgamento de Jesus.
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Embora o desfecho do processo e o destino de Saulos, Gadalias e seus cúmplices permaneçam desconhecidos, os estudiosos destacam que o crime de falsum — que se refere à falsificação — era severamente punido na Roma Antiga.
As sanções para esse delito variavam desde expropriação e exílio até condenação às minas e pena de morte. Os autores observam que até mesmo membros da classe privilegiada dos honestiores enfrentavam punições rigorosas por falsum.