Por quase dois séculos, arqueólogos acreditaram que um navio naufragado no sul da Suécia pertencia à Era Viking. A embarcação foi encontrada junto a outros destroços em Landfjärden, perto de Estocolmo. Assim, a hipótese predominante indicava que fazia parte de uma frota nórdica de mais de mil anos.
No entanto, um estudo recente revelou que essa teoria estava equivocada e que, na verdade, o naufrágio tem uma origem bem diferente.
Um navio mais recente do que se imaginava
Pesquisadores do Museu de Naufrágios de Vrak analisaram a estrutura do navio, conhecido como Wreck 5, e descobriram que ele foi construído entre 1460 e 1480. Isso o torna o navio carvel mais antigo já encontrado na Escandinávia, representando um importante avanço na história da construção naval.
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O método de construção utilizado na embarcação foi fundamental para a descoberta. Enquanto os vikings usavam a técnica “clinker”, que sobrepunha tábuas de madeira, o Wreck 5 foi construído com o sistema “carvel”, onde as tábuas ficam alinhadas lado a lado, formando um casco mais liso e resistente. Essa inovação possibilitou a construção de embarcações maiores, mais estáveis e capacitadas para suportar armamentos pesados.
O erro na identificação do naufrágio
A confusão em torno da origem do navio ocorreu porque os destroços foram descobertos há mais de 200 anos, quando a tecnologia disponível não era suficiente para datá-los com precisão. Assim, devido ao formato do casco e à localização, pesquisadores da época concluíram que os destroços pertenciam à Era Viking.
Somente em 2023, arqueólogos conseguiram datar a embarcação corretamente, usando uma análise da madeira presente no navio. O estudo revelou que a madeira foi extraída de florestas no sul da Suécia, em uma região conhecida por fabricar embarcações no século XV.
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Essa nova descoberta transformou o entendimento sobre a evolução das embarcações no norte da Europa. A técnica “carvel”, que se originou no Mediterrâneo, foi vital para o desenvolvimento da navegação moderna, pois permitiu a construção de navios mais robustos para viagens longas e combates navais.
Além disso, pesquisadores criaram um modelo digital em 3D do naufrágio, permitindo que especialistas estudem sua estrutura sem precisar removê-lo do fundo do mar.
O museu agora busca financiamento para escavações mais detalhadas, visando entender melhor como ocorreu essa transição entre a construção naval medieval e moderna.
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