Estruturas misteriosas no núcleo da terra são mais antigas que se pensava

Pesquisas revelam que as gigantescas estruturas no interior da Terra, conhecidas como LLSVPs, são mais antigas e misteriosas do que imaginávamos

Pesquisas recentes indicam que estruturas de grande porte no interior da Terra são mais antigas e enigmáticas do que se imaginava. Essas formações, localizadas próximas ao núcleo terrestre, desafiam a compreensão atual sobre a composição e a dinâmica do manto.

Conhecidas como Províncias de Baixa Velocidade de Cisalhamento (LLSVPs, em inglês), essas estruturas estão situadas abaixo de regiões como a África e o Oceano Pacífico.

Elas ocupam uma porção significativa do volume terrestre, estimada entre 3% e 9%. Devido à impossibilidade de observação direta, os cientistas utilizam a tomografia sísmica para mapear essas áreas.

Essa técnica analisa a propagação de ondas geradas por terremotos. Essas ondas variam de velocidade conforme a densidade dos materiais que atravessam, permitindo identificar anomalias no interior do planeta.

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O que se sabe sobre as LLSVPs?

Descobertas na década de 1970, as LLSVPs são regiões onde as ondas sísmicas se movem mais lentamente. Isso sugere diferenças na composição e na temperatura em relação ao manto circundante. A estrutura denominada “Tuzo”, localizada sob a África, possui aproximadamente 800 quilômetros de altura, o que equivale a cerca de 8 mil vezes o tamanho de um campo de futebol.

A origem dessas formações permanece incerta. Uma hipótese propõe que elas sejam acúmulos de crosta oceânica subduzida ao longo de bilhões de anos. Outra teoria sugere que podem ser fragmentos de um planeta antigo que colidiu com a Terra há cerca de 4,5 bilhões de anos, evento que teria originado a Lua.

Estudos indicam que partes do manto desse corpo celeste poderiam ter se incorporado ao interior terrestre e persistido ao longo do tempo.

LLSVPs são estruturas antigas e bastante rígidas — Crédito da imagem: Universidade de Utrecht

Para aprofundar o conhecimento sobre essas estruturas, pesquisadores adotaram novas abordagens, incluindo a análise do amortecimento das ondas sísmicas, que se refere à quantidade de energia perdida durante sua passagem pela Terra. Descobriu-se que nas LLSVPs há pouco amortecimento, tornando as ondas mais audíveis. Em contrapartida, nas regiões com placas tectônicas subduzidas, as ondas são mais suavizadas.

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Essa diferença sugere que o tamanho dos grãos nas LLSVPs é maior, indicando que são estruturas antigas e rígidas, que não participam ativamente da convecção do manto.

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