Intoxicação marcou construção das pirâmides no Egito Antigo. Veja mais!
Estudo revela que trabalhadores do Egito Antigo foram expostos à contaminação por cobre durante a construção das pirâmides
Na construção das pirâmides de Gizé, trabalhadores do Egito Antigo lidavam com contaminação por cobre em níveis acima do natural, de acordo com um estudo divulgado no periódico Geology. Cientistas da Universidade de Marselha realizaram a pesquisa e identificaram resíduos do metal no porto de Wadi al-Jarf, que funcionava na época como centro de apoio logístico para as obras.
As Pirâmides de Gizé, localizadas no planalto de Gizé, a cerca de 18 quilômetros do Cairo, Egito, são monumentos emblemáticos da civilização egípcia antiga. Construídas há mais de 4.500 anos, essas estruturas serviram como túmulos reais para os faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos.
A Grande Pirâmide de Quéops, originalmente com 146,5 metros de altura, foi considerada a construção mais alta do mundo até o século XIV. Estima-se que sua construção tenha envolvido o trabalho de 30 a 100 mil pessoas ao longo de 14 a 20 anos. As técnicas utilizadas incluíam o transporte de enormes blocos de pedra por meio de trenós sobre toras de madeira ou pelo rio Nilo.
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Construção deixou rastros de poluição metálica

As amostras de solo mostraram que a concentração de cobre ultrapassava até cinco vezes os níveis considerados normais, com registros datando de 3.265 a.C. A exposição ao metal em grande escala, associada à produção de ferramentas, pode ter causado sérios impactos à saúde dos operários que participaram das construções monumentais.
Entre os possíveis efeitos da intoxicação estão náuseas, danos aos rins e fígado, além de alterações metabólicas. A pesquisa indica que a intensa atividade metalúrgica coincidiu com os reinados de Quéops, Quéfren e Miquerinos. Isso porque esse foi um período de grande expansão arquitetônica e uso extensivo de ferramentas de cobre.
Além disso, o porto de Wadi al-Jarf, que funcionou como ponto de apoio para o transporte de blocos de pedra, revelou outra descoberta significativa. O solo contaminado sugere que a região foi ocupada cerca de 200 anos antes do que se estimava. Esse fato antecipa a narrativa da presença humana ativa no local.
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Contaminação durou mais de sete séculos
Segundo a análise dos pesquisadores, a poluição metálica atingiu seu auge por volta de 2.515 a.C., e os traços de cobre só desapareceram completamente em 100 a.C. Isso indica que a contaminação ambiental provocada pela atividade humana se estendeu por aproximadamente 750 anos.
Assim, mesmo que a construção das pirâmides represente um marco da engenharia antiga, o estudo revela que ela também gerou um dos primeiros registros de poluição causada por metais. O trabalho destaca como o avanço técnico da civilização egípcia deixou consequências duradouras para o solo e possivelmente para a saúde daqueles que participaram desse feito.
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