
O segredo do tubarão-da-Groenlândia que vive por até 4 séculos
Estudo revela que genes do tubarão-da-Groenlândia podem oferecer novas perspectivas para tratamentos médicos e compreensão do envelhecimento humano
O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) intriga cientistas por sua capacidade de viver por séculos. Pesquisas recentes sugerem que sua genética pode conter pistas valiosas para tratamentos médicos e o estudo do envelhecimento humano.
Este animal, que habita águas profundas do Ártico e do Atlântico Norte, pode ultrapassar os 400 anos de vida, tornando-se um dos vertebrados mais longevos do planeta.
DNA resistente e reparação celular avançada
Um estudo publicado na plataforma bioRxiv, em fevereiro de 2025, revelou que o segredo da longevidade desse tubarão reside em sua genética. Pesquisadores do Instituto Leibniz para o Envelhecimento, na Alemanha, analisaram amostras do DNA do animal e identificaram genes altamente eficientes na reparação celular.
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A descoberta mais significativa envolve uma classe de genes que ativam a proteína NF-kB, essencial para regular processos inflamatórios, imunidade e sobrevivência celular. Esse mecanismo avançado pode ser um dos fatores que retardam o envelhecimento e minimizam o desenvolvimento de doenças degenerativas.
Possíveis aplicações médicas
Cientistas acreditam que as informações obtidas podem ser úteis para o desenvolvimento de tratamentos contra o câncer e novas terapias que visem aumentar a qualidade de vida humana. Como a inflamação crônica está diretamente ligada ao envelhecimento e ao surgimento de tumores, compreender o funcionamento desses genes pode abrir caminho para intervenções mais eficazes.
Entretanto, a pesquisa não tem como objetivo prolongar indefinidamente a vida humana. O foco dos especialistas é entender como certos organismos conseguem manter uma vida saudável por longos períodos, adaptando essas estratégias para benefícios médicos.
Para analisar o DNA dos tubarões-da-Groenlândia, os pesquisadores precisaram capturar exemplares em águas profundas.
Após a coleta, os cientistas sequenciaram o genoma dos tubarões e compararam seus dados genéticos com os de outras espécies de vida mais curta. Foi nesse processo que os genes responsáveis pela longevidade se destacaram.
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O impacto da pesquisa no futuro
Embora ainda em fase inicial, o estudo levanta questionamentos importantes sobre a biologia do envelhecimento e como organismos tão resilientes podem nos ajudar a entender melhor as doenças humanas. Novas pesquisas devem aprofundar a análise desses genes para avaliar se suas características podem ser aplicadas em terapias futuras.
A natureza frequentemente apresenta respostas para desafios científicos. O tubarão-da-Groenlândia, com sua impressionante resistência e longevidade, pode ser um dos próximos grandes aliados da ciência na busca por uma vida mais saudável.
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