Quando amar é uma obrigação: filme da Netflix questiona os padrões afetivos atuais

Inspirado em Camus e Sartre, filme expõe a pressão social por relacionamentos

Disponível na Netflix, o filme ‘O Lagosta’ mescla distopia, filosofia e humor ácido para criar um universo onde o amor não é uma escolha, mas uma obrigação. Nesse sentido, a obra, dirigida por Yorgos Lanthimos, se inspira nas ideias existencialistas de Albert Camus e Jean-Paul Sartre para provocar uma reflexão desconfortável: como as convenções sociais moldam, impõem e limitam nossas relações?

Num futuro onde ser solteiro é crime

Em síntese, a história se passa em um mundo onde pessoas solteiras são levadas para um hotel e obrigadas a encontrar um parceiro em até 45 dias. Caso falhem, são transformadas em um animal de sua escolha. David (Colin Farrell), protagonista introspectivo e deslocado, opta por se tornar uma lagosta se não conseguir formar um casal. Assim, a decisão pode parecer absurda, mas é apenas o início de um roteiro que satiriza os limites da convivência humana.

Foto de Colin Farrell e Jessica Barden em "O Lagosta
Colin Farrell e Jessica Barden em “O Lagosta “(2015) – Foto: Netflix

Durante sua estadia, David tenta se adaptar às regras do lugar. Os casais são formados com base em características superficiais: ambos têm miopia, ambos mancam, ambos sangram pelo nariz. Dessa forma, não há espaço para afeto genuíno ou subjetividade. Assim, Lanthimos expõe como, em muitos contextos da vida real, as relações são construídas para atender a um ideal social, não por desejo autêntico.

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Ao fugir do hotel, David se junta a um grupo rebelde que vive na floresta. Nesse novo ambiente, o amor é proibido. Qualquer demonstração de carinho é severamente punida. Aparentemente livres, esses personagens vivem em outro extremo do mesmo problema: a imposição de um comportamento único, agora contrário ao afeto. Desse modo, o filme ilustra que, em qualquer cenário, existe opressão — seja na exigência de amar, seja na proibição de sentir.

Estética fria e narrativa desconcertante

O estilo visual do filme contribui para a sensação de estranhamento. Com enquadramentos rígidos, cores opacas e diálogos quase robóticos, o diretor constantemente tira o espectador da zona de conforto. Além disso, nada é romântico ou acolhedor, nem mesmo os momentos mais íntimos. Tudo parece calculado, como se os personagens estivessem presos em uma coreografia social sufocante.

Dessa forma, ‘O Lagosta’ não oferece respostas fáceis. O final, ambíguo e inquietante, levanta uma última pergunta: estamos realmente preparados para viver relações autênticas ou apenas desempenhamos papéis impostos? No fundo, o filme revela que, muitas vezes, ao tentar se encaixar, perdemos justamente aquilo que nos torna humanos: a liberdade de sentir, de errar e de escolher.

Portanto, se você busca um filme fora do convencional, que provoque uma reflexão mais profunda em vez de apenas entreter, essa é uma escolha certeira para ponderar sobre o amor e a liberdade em um mundo obcecado por regras.

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Agora, confira o trailer:


Ficha Técnica:

  • Nome em inglês: The Lobster
  • Gênero: Comédia Romântica, Ficção Científica, Suspense, Humor Negro​
  • Data de lançamento: 2015
  • Direção: Yorgos Lanthimos​
  • Roteiro: Yorgos Lanthimos, Efthymis Filippou​

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